Corretor de Seguros ou Agrônomo???

Pouca gente sabe, mas está tramitando no Congresso Nacional um projeto de lei apresentado pelo Deputado Federal Valdir Colatto (PMDB/SC) que objetiva criar a profissão de “Corretor de Seguro Rural”.

 De acordo com o projeto, este profissional ficará responsável, dentre outras coisas por garantir que as formas de produção dos agricultores estejam em conformidade com as exigências da apólice de seguro; orientar os agricultores sobre técnicas de produção, cuidados na colheita, prevenção de pragas e doenças e recomendar providências que minimizem o risco de ocorrência de sinistros, como pragas e doenças, excesso de chuva ou seca que podem causar prejuízos na produção.

E mais… Para atuar como corretor de seguro rural, o profissional, deve ter ainda diploma de técnico agrícola (com experiência comprovada de dois anos) ou do curso de Ciências Agrárias, de nível superior.

Atualmente o projeto de lei se encontra na Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público  (CTASP), o relator é o deputado federal Eduardo Barbosa (PSDB/MG).

Nada garante que este projeto será aprovado, mas cá do meu lado já tenho sérias dúvidas se essa é uma boa idéia.

Numa análise inicial, toda especialização é boa para o mercado e ajuda a proteger os segurados finais, ainda mais num segmento estratégico para o Brasil como o agronegócio, agora as responsabilidades impostas ao “novo profissional” não me parecem as mais adequadas ao corretor de seguros.

Em última análise o que depreendemos do projeto é que o corretor teria uma atuação mais próxima ao agricultor no sentido de gerenciar os seus riscos. Até aí ótimo!!! O problema é que já temos inúmeros órgãos com essa finalidade, a maioria, inclusive, ligada ao governo em suas várias esferas. E vou mais além, muitas dessas práticas já são exigidas quando o agricultor faz uso do crédito rural. Qual a novidade então?

Outra pergunta que fica é: Os agrônomos teriam que fazer curso para corretores de seguro? Afinal a via é de mão dupla, e o “segurês” não é fácil para quem não tem formação na área.

De mais a mais, quem hoje tem acesso ao seguro rural, em especial ao seguro agrícola, são os médios e grandes produtores, que já utilizam técnicas de plantio adequadas. O pequeno agricultor tem dificuldade de acesso, e não tenho certeza de que o projeto de lei da forma como está apresentado terá ação eficaz para mudar essa realidade.

Em linhas gerais, exigir do corretor uma formação em agronomia para vender seguro rural, é como esperar que o corretor de seguros de incêndio seja bombeiro, ou ainda que o corretor de automóveis seja funileiro.

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